5 de fevereiro de 2011

Chuteira véia é que faz corrida boa


Assim como Dona Maria e Seu Zé das Côve, a gaia ciência gosta muito de mudar de opinião. Para aqueles que acreditam na "infevável e absoluta verdade científica", deve vir sempre como um soco na cara as revisitas que os cientistas fazem sobre verdades até então tidas como incontestáveis.

Durante décadas, os tênis bons e saudáveis para corrida eram aqueles que possuiam um adequado sistema de amortecimento, capaz de reduzir o impacto da pisada e de possibilitar a distribuição do choque nas articulações das pernas.

Não mais. Agora insistem que o legal é usar um tênis com a sola mais fina possível. Se puder correr sem tênis até, ótimo. Era assim que nossos ancestrais da Era do Gelo corriam. Não tinham essa frescura de tênis ultra-mega-power. Correr no natural tornou-se saudável.

Com isso - e agora essa é a conclusão de um amigo corredor, Moisés (o crédito a quem é de direito) e eu assino embaixo - cai também aquela ânsia capitalista de que o tênis se torna imprestável após rodar algumas centenas de kilômetros. O tênis passa a servir até mesmo quando tiver com a sola desgastada, um buraco acusando a experiência de ter cruzado asfalto, praças, pistas, estradas de terra.

Percebi que o meu tênis fica cada vez melhor a cada dia que passa. Panela velha é que faz comida boa?


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