29 de abril de 2011

Momento de sabedoria zen


"Seja apenas ordinário e nada especial. Coma sua comida, movimente seus intestinos, carregue sua água e, quando estiver cansado, vá e deite-se. Os ignorantes rirão de mim, mas os sábios me compreenderão."

- Lin-chi, mestre zen chinês

"No cenário da primavera, não há nada melhor nem pior,
Os ramos das flores crescerão naturalmente, alguns longos, outros curtos."

- Provérbio zen chinês

28 de abril de 2011

E o projeto continua...


Depois de 2 X 1 contra o Once Caldas na Colômbia, agora é aguardar a vitória no retorno em terras mineiras.

Bora!

27 de abril de 2011

Rumo ao tri!


Mas nem tudo é filosofia nessa vida, e hoje o momento mais importante é a noite. Depois do chocolate de 8 X 1, hora de torcer para vencer os colomba e seguir rumo ao tri! Bora, Cruzeiro!

24 de abril de 2011

Junk food mental

Numa época em que a obesidade anda a passos largos para se tornar uma pandemia e, paradoxalmente, a cultura prevalecente nos ordena a mexer e malhar, parecemos esquecer do velho adágio romano: “mens sana in corpora sano”. Uma mente sã num corpo são.

Quase tão antigo quanto a invenção da roda, parece ser o momento certo para dar novo significado a esse ensinamento ancião. De acordo com o Wikipedia, com essa frase, o poeta romano Juvenal criticava as orações erradas de seus contemporâneos, que pediam coisas descabidas aos deuses, quando bastava pedir saúde física e espiritual.

Com o tempo, a frase mudou de sentido e passou a comportar a idéia de ser necessário um equilíbrio saudável no estilo de vida. Pode ser compreendido que somente alcançamos bem-estar quando a mente e corpo estão sãos.

Se hoje a atenção volta-se para a qualidade (e quantidade) do que comemos, visando disciplinar nossa voracidade para evitar açúcar, gordura ruim e carboidratos, esquecemos que nossa mente também é voraz, insaciável, e merece também passar por uma “dieta”.

De acordo com o yôgin Vishnudevanana, a mente é como um macaco bêbado picado por um escorpião. O pensamento oriental utiliza bastante o termo “mente-macaco” para se referir a esse comportamento de nossa mente que divaga e, facilmente entediável, corre para outra ocupação. Cansando rapidamente, pula de um lazer para outro, ou para outro pensamento. Daí a analogia com o macaco, que pula sempre de galho em galho. Normalmente, enfatiza-se uma disciplina mental para tranquilizar o macaco, e fazer com que mude de árvores com, pelo menos, um pouco mais de atenção.

Todavia, nossa época proporciona infinitas possibilidades de experiências visuais, auditivas, táteis, olfativas e gustativas, através de nossas “cinco portas” (nossos sentidos) para o mundo, produzindo sensações. Desde a possibilidade do cinema 3D até fragrâncias das mais exóticas, desde as mais variadas posibilidades musicais até todo o tipo de cozinha internacional inimaginável e acessível, estamos suscetíveis a uma pletora de possibilidades de sensações, sejam agradáveis ou desagradáveis.

Ou seja, essa floresta está com muito galho para o macaco pular. E a cachaça está rolando solta para o macaco pular ainda mais ensandecido.

Isso não é um problema, até certo ponto. Quando passamos a perder o critério e o senso de quais sensações absorver, sem conseguir discriminar o necessário e saudável do desnecessário e tóxico, isso pode se tornar um problema para a mente, assim como junk food faz mal para o corpo.

E isso nem é novidade. Afinal de contas, os termos "poluição sonora" e "poluição visual" já estão circulando por aí há algum tempo. Talvez o que falte agora é assumirmos a responsabilidade individual para resistir ao despejo incontrolável das sensações do mundo contemporâneo.

Penso que permitir absoluta liberdade às sensações e se submeter à experiências tóxicas (na minha opinião, nada mais tóxico do que reality shows, revista fúteis e televisão domingo à tarde) se convertem num tipo de junk food mental, a que nos viciamos sem perceber. Isso pode trazer prejuízos não só para nosso conforto mental - como foco e discernimento - mas pode resultar em uma sociedade que perde absolutamente seus referenciais e não consegue mais perceber o que presta do que não presta.

Curiosamente, ao digitar junk food mental na pesquisa do Google, apareceu um site Mental Junk Food, que, como não poderia deixar de ser, trata de “celebrity gossip and news! Be the first to know about what is going on in the crazy world of entertainment.”

Serve apenas para provar o ponto em questão.

Depois de preocuparmos com o que comemos, será que não é hora de perguntar o que nossa mente anda consumindo?

22 de abril de 2011

Ted - Ideas worth spreading

Interessante projeto em que diversas pessoas - autoridades nas suas áreas de atuação - expõe, de forma curta mas com conteúdo, suas opiniões e pontos de vista sobre temas dos mais diversos.

Vale a pena conferir.

Abaixo, um sobre a diferença de cultura entre o Ocidente e a Índia:

6 de abril de 2011

4 de abril de 2011

Nosso curto dicionário emocional


Para exercemos o dom da comunicação verbal, necessitamos de palavras que expressem idéias aceitas por todos. Se digo cadeira, espera-se que a pessoa compreenda a referência a um objeto feito para sentar a uma certa distância do chão. Mas a cadeira pode ser de madeira ou de plástico, pode ter quatro pés, ou um único pé. A palavra, de repente, fica insuficiente para a compreensão. Precisamos ir além.

Isso para um objeto concreto da realidade. Agora, imagine-se a dificuldade de se expressar um sentimento, uma emoção ou um estado de espírito. Se digo que "estou com raiva", espero que você compreenda o estado (momentâneo) de indignação e revolta com uma situação ou pessoa. Mas isso pressupõe que você já tenha passado por esse sentimento e entenda o efeito dessa emoção sobre o estado psíquico. A dificuldade aumenta: será que o que entendo por raiva, ou amor, ou ódio, ou alegria, ou orgulho, ou desprezo, é a mesmo coisa que você entende? Como saber?

Isso reflete no vocabulário dos povos. Em alguns idiomas, algumas emoções simplesmente não possuem uma palavra que as identifique. É conhecida a informação de que a palavra "saudade" existe apenas no português.

No livro "Consciência emocional" - que é um interessante diálogo entre o norte-americano Paul Ekman, renomado psicólogo comportamental, e o Dalai Lama, autoridade do budismo tibetano - os autores discutem o que chamam de "a pobreza da linguagem emocional".

Paul Ekman dá o exemplo da palavra "orgulho", que pode ser compreendida como autoconfiança. É o prazer que se tem nas realizações pessoais. E logo fala: "Para mim, isso é diferente do prazer que se tem nas realizações dos filhos, sejam filhos biológicos ou de criação. Quando eles conseguem se beneficiar das suas realizações, quando eles conseguem realizar as coisas, a sensação é boa. A única língua que conheço que tem uma palara específica para isso é o iídiche. Em iídiche, isso é chamado de naches, que significa o prazer singular que se sente, não quando você realizou algo, mas quando o filho ou aluno realizou algo." (Mas o Dalai-lama logo coloca uma observação auspiciosa: "ainda há uma auto-referência: É o meu aluno.")

O Dalai fala da compreensão do orgulho em sua língua, o tibetano: o estado emocional que se aproxima do orgulho, correspondente à forma como nos sentimos quando estamos diante de um grande desafio que nos leva até nosso limite, fazendo o melhor possível, sem ostentação - um tipo de "bom" orgulho, leva o nome em tibetano de popa. Já o orgulho negativo, o da ostentação, é ngagyal, que significa literalmente autovitória.

Em português, assim como no inglês, usamos apenas o termo"orgulho" para expressar ambos os estados emocionais. Da mesma forma, usamos "ambição" para expressar sentimentos que podem ser vistos como positivo (o "querer" que nos move a uma realização) como negativo (um querer desmesurado e potencialmente inescrupuloso).

Daí sempre haver controvérsias sobre o julgamento de emoções e pensamentos.

Paul Ekman dá ainda o exemplo da palavra "amor", usada tanto para expressar a emoção de afeto entre um homem e uma mulher, como aquela dos pais pelos seus filhos. Conclui que, quanto ao amor parental, não se trata de uma emoção, e sim de um compromisso de uma vida inteira.

Interessante a conclusão de Ekman, válida também para nossa língua lusa:

"Não conheço outras línguas o suficiente para dizer, mas o inglês me parece relativamente pobre na classificação das diferentes emoções. Se não temos palavras para descrever diferentes estados, como essas duas palavras tibetanas, não temos como pensar a respeito deles e nos anteciparmos a eles. Não podemos nos disciplinar tanto porque não temos as palavras para nos referir a essas emoções. Sem palavras, não podemos refletir sobre o que ocorreu ou poderia ocorrer.

Somos, em certo sentido, animais que não têm, pelo menos em inglês, palavras suficientes para descrever a variedade de nossas experiências emocionais, particularmente quando elas são destrutivas ou construtivas. Sem rótulos diferentes para cada estado mental é difícil refletir sobre sua natureza e considerar como queremos demonstrá-los em episódios emocionais futuros."

Hora de ampliar o Aurélio?



2 de abril de 2011

Limites da auto-superação em um teste ergométrico


Na tradição yôguica, a palavra em sânscrito "tapas" significa a prática ascética hindu com o objetivo de transformação e transcendência da consciência ordinária.

Nas palavras de Georg Feurstein,

"Na Índia, o termo mais antigo (que designava as práticas semelhantes às do Yoga) era tapas. Essa antiga palavra sânscrita significa literalmente 'calor'. É derivada da raiz verbal tap, que significa 'abrasar' ou 'brilhar'. O termo é usado muitas vezes no Rig-Veda para descrever a qualidade intrínseca e a obra do disco solar (ou do deus correspondente, Sûrya) e do fogo sacrificial (ou do deus correspondente, Agni). Esses textos deixam implícito que o calor do sol e do fogo é doloroso e opressor em sua intensidade abrasadora. Vemos aí a raiz do uso metafórico que depois de seu à palavra tapas, que passou a significar o calor da alma sob a forma da raiva e da agressividade mas também do fervor, do zelo e da dedicação ardorosa.
Assim, a palavra tapas passou a designar o esforço religioso ou espiritual, a disciplina que o homem impõe a si mesmo sob a forma de práticas ascéticas. Por isso, tapas é frequentemente traduzido por 'ascese' ou 'ascetismo'." (Georg Feurstein, A tradição do Yoga, Editora Pensamento, p. 106-107)

DeRose, em uma releitura do tapas, apresenta o seguinte conteúdo desse princípio:

"O yôgin deve observar constante esforço sobre si mesmo em todos os momentos. Esse esforço de auto-superação consiste numa atenção constante no sentido de fazer-se melhor a cada dia e aplica-se a todas as circunstâncias."

Pois bem. Se tapas se aplica a todas as circunstâncias e significa "auto-superação" por meio do "fervor, do zelo e da dedicação ardorosa", porque não aplicá-lo em um teste ergométrico?

Também para facilitar a definição do que vem a ser o teste ergométrico, chamo aqui meu amigo Wikipedia:

"Teste Ergométrico, Teste Cicloergométrico ou Teste sob estresse físico é um exame complementar de diagnóstico em Medicina, realizado por profissional médico cardiologista habilitado, que consiste em submeter o indivíduo a uma determinada modalidade de esforço físico graduado e monitorado com eletrocardiograma, objetivando aumentar sua demanda metabólica global e em especial a demanda metabólica do coração, podendo assim avaliar, entre outras variáveis, a aptidão cardio-respiratória global do indivíduo e a presença de isquemia no músculo cardíaco.(...) O esforço pode ser realizado geralmente através de esteira ou bicicleta."

No caso que agora comento, foi adotada a esteira. O teste começa com a esteira em plano, numa velocidade baixa, a ponto de se poder andar. Porém, não fica nessa moleza não. A esteira vai aumentando em inclinação e em velocidade. Enquanto vai aumentando, o médico monitora a pressão, e vai perguntando, "está tranquilo?".

É óbvio, vamos respondendo que sim. Está tranquilo? Sim. Aumenta a velocidade e a inclinação. Está tranquilo? Mel na chupeta. Aumenta a velocidade e inclinação. Mede pressão. Continua confortável? Para mim, está ótimo. Inclinação em trinta graus, o passo aperta. O médico: se quiser, pode começar a correr. Legal. Inclinação em quarenta graus, começo a correr. Mede pressão. O médico intervém de novo: Quando não se sentir mais confortável e achar que não dá mais pra ir, só falar que paramos.

Parar?? Jamais. Tapas. Auto-superação. Dedicação ardorosa. Só paro quando o exame concluir.

Inclinação acentuada mais ainda, começo a correr mais. Provavalmente uns 8 km/h. Mede pressão. 9km/h. A esteira já está quase vertical! 10 km/h. A respiração fica ofegante, boca aberta. Olhando o monitor, a frequência vai se elevando: 178, 184, 187, 189!

O médico continua medindo a pressão. Está tranquilo? Aham... As palavras param de sair. O pensamento: quando termina esse maldito exame? O pensamento verbaliza para o médico: Quanto tempo mais? O médico: Na hora que você quiser parar.

Na compreensão de alguém que começa a ser tomado pela fadiga e um início de desespero, entendi que o exame estava concluído, e não titubiei: para mim, está bom!

Ok, teste encerrado. Fiquei satisfeito por ter ficado ali, quase escalando a esteira em alta velocidade, coração a mil, e ser autorizado pelo médico a encerrar o exame. Porém, após a entrega do exame, leio, já em casa, uma das conclusões, para a minha consternação:

"Teste interrompido por exaustão física".

Teste interrompido??? Exaustão física??? Mas já estava terminado! Por isso, pedi arrego. E de qualquer forma, tinha ainda gás para mais um pouco! O tapas foi por água abaixo. A auto-superação ficou pra outro dia. Uma lição quanto à aplicação desse princípio em todas as circunstâncias...

Porém, um resultado positivo para o condicionamento físico. Na conclusão sobre a aptidão cardiorespiratória, constou "excelente". Certamente, desde que me entendo por gente, é a primeira vez de uma nota dez nesse quesito. Nem tudo são espinhos num teste ergométrico.