27 de março de 2011

Site "Trocando livros"


Quem me deu a notícia desse site foi a Tia Rosa.

Fuçando e me cadastrando no site "Trocando livros", achei interessante divulgar. Funciona da seguinte maneira: após fazer o login, você cadastra todos aqueles livros que já leu - quer tenha gostado, quer não -, e que esteja disposto a passar para outra pessoa sedenta de leitura. Dito de outro modo, um livro que vai e não volta.

Se alguém se interessar por seu livro e o pedir, você envia por correio para a pessoa (o site é quem faz a intermediação). Após enviá-lo e cadastrar o número de registro do correio no site, você ganha um ponto.

Com esse ponto, você pode pedir um dos livros cadastrados no site, à sua livre escolha. E assim vai sucessivamente.

Me pareceu uma ótima idéia de economizar não só no bolso de um ávido leitor, como contribuir para o meio ambiente, fazendo que os livros se tornem bens reutilizáveis (à modo das bibliotecas pouco consultadas).

Mais uma das descobertas da internet.
Agora, confesso que ainda não recebi nenhum livro pelo sistema. Vou enviar o meu primeiro essa semana. Depois avalio a confiabilidade e qualidade do serviço.

18 de março de 2011

Uma visão do Caribe do século XVIII


Dessa vez uma citação da citação, transcrevo o que disse o francófono Père Labat em 1743 sobre o Caribe - o que, segundo Franklin Knight, continua com a mesma força:

"I have travelled everywhere in your sea of the Caribbean...from Haiti to Barbados, to Martinique and Guadeloupe, and I know what I am speaking about...

You are all together, in the same boat, sailing the same uncertain sea...citizenship and race unimportant, feeble little labels compared to the message that my spirit brings to me: that of the position and predicament which History has imposed upon you...

I saw it first with dance... the merengue in Haiti, the beguine in Martinique and today I hear, de mon oreille morte, the echo of calypsoes from Trinidad, Jamaica, St. Lucia, Dominica and the legendary Guiana...

It is no accident that the sea wich separates your lands makes no difference to the rhythm of your body."

17 de março de 2011

Uma avaliação da Revolução Cubana


Aproveitando a rflexão pós-viagem, segue uma citação extraída do livro “The Caribbean: the Genesis of a fragmented nationalism”, segunda edição, de Franklin W. Knight, que assim avalia a Revolução liderada por Fidel Castro:

“The achievements of the Cuban Revolution lie not merely in the prosaic compilation of comparative statistical information – houses, schools, and hospitals built; doctors, teachers, agronomists, and technicians trained; communications and utilities provided; roads, factories, and farms constructed; number of men in arms – or the discussion of human costs in death, exile, and alienation.

The achievements of the revolution transcend the mere introduction of a socialist society and a socialist economy. The success of the revolution also lies in the tremendous infusion it gave to Cuban and Caribbean nationalism. The Cubans demonstrated that race, color, class and limited natural resources do not constitute insuperable handicaps to the creation of an independent, just and equitable society. The revolution instilled national pride and a sense of regional identification in those Cuban who remained and struggled and survived to construct a society where equality of opportunity became truly an operational inalienable right.

Equality of opportunity unleashed tremendous creative energy that manifested itself in all aspects of Cuban life: organization, literature, the creative arts, sports, diplomacy, construction. The revolution did not create a paradise; but what it accomplished against such odds is truly impressive.

Not all Cubans are well-fed, well-housed, well-cared for, and well-educated. But the overwhelming majority of Cubans currently enjoy facilities and opportunities that before 1959 remained the preserve of a privileged few. The national government has a legitimacy, popularity, and international respectability never before experienced in the history of the republic. Cuban advice and assistance are accepted in countries where once both were despised and detested. Only Washington host more diplomatic missions than Havana in the Americas.”

Acredito que essas palavras continuam tão fortes hoje quanto antes. Resta saber agora por quanto tempo.

16 de março de 2011

Diário cubano - 5

Apesar dessa aparente decadência, Havana apresenta uma rotina urbana agitada, com barulho e confusão (e problemas) de qualquer cidade grande. O governo cubano garante aos seus cidadãos uma boa educação, serviços de saúde e qualidade de vida, muito embora o acesso a determinados bens seja restrito. Fato curioso é a quase inexistência de mendigos e crianças de rua por toda a cidade, embora o visitante seja obrigado a recusar a todo momento a oferta de charutos e até maconha que fazem os locais (turistas somente podem comprar charutos em casas oficiais, com o selo do governo cubano. Desrespeitar essa regra pode dar cana para o incauto visitante. Quanto à maconha, não precisa falar nada...).

O salário reduzido que os cubanos recebem do governo e as restrições da “caderneta” de alimentos e utilidades fornecidos mensalmente pelo regime levam à existência de uma economia paralela, um tipo de economia informal socialista. Pessoas têm um segundo emprego, normalmente relacionado ao turismo, para obter uma fonte de renda extra. O “jeitinho” cubano busca também extrair dos turistas rendas não-oficiais, que fogem ao controle do governo cubano (ao que parece, sob um tipo de vista grossa, um "faz de conta que não vi" estatal.) Ao lado do mercado negro para os cubanos, a principal evidência dessa dupla economia é garantida pelo próprio governo: existem os pesos cubanos usados pelos locais e os CUCs, moedas que circulam somente para o turismo da ilha e que nós, turistas, utilizamos a todo momento.

Embora a permanência em Havana tenha sido mínima e apesar de todo o aparato turístico que normalmente nos isola da realidade local em qualquer lugar que vamos, não se percebe uma repressão manifesta contra os moradores. A polícia não parece ameaçadora e os cubanos, bem-humorados e dotados do mesmo espírito latinoamericano, seguem suas vidas, não diferentes de cidadãos de qualquer outro lugar. É claro, existe um autoritarismo de tipo carismático que não vimos, sentido pelos cubanos na sua vida cotidiana. A Revolução cubana foi alcançada, mas não sem um alto sacrifício de certas liberdades individuais. Uma grande dificuldade certamente reside em sair da Ilha: além de caro (alguém falou algo entorno de US$ 3.000,00), o governo cubano é extremamente rígido no controle emigratório de seus cidadãos.

Contudo, parece que novos ares sopram na terra de Fidel. O governo cubano tem liberado nos últimos anos pequenos negócios privados e em breve demitirá uma quantidade significativa de cubanos, com o objetivo de reduzir custos ao Estado e impulsionar uma nascente atividade econômica de mercado. A guia de um city tour falou algo que imaginei que não iria ouvir: o objetivo seria caminhar para um socialismo de tipo europeu (!!!). O principal evento sobre a mudança de rumo do regime será o VI Congresso do Partido Comunista Cubano, que se reunirá em abril desse ano para discutir o futuro político, econômico e social da República de Cuba.

Em breve, colocarei um artigo mais detalhado sobre o assunto.

Após essa semana intensa, retornamos para o Brasil, com apenas uma única dúvida:

Quando voltar?

15 de março de 2011

Diário cubano - 4


Chegamos em Havana bem cedo e nos hospedamos no Hotel Telégrafo. Ficamos no meio da confusão, no Centro de Havana, próximos ao Capitólio e ao Gran Teatro. Nos dias que passamos ali, fizemos peripécias pela capital cubana, caminhando pela “rambla” (passeio de pedestres) até o Malecón, a mureta que fica na beira-mar da cidade. Paramos em charutarias e outras lojas de produtos locais (como o rum) e conhecemos a parte histórica, Habana Vieja. A Plaza de la Revolución, lugar famoso pelos discursos de Fidel e pela imagem de Che no prédio do Ministério do Interior (foto), também foi um lugar obrigatório, ao lado da Fortaleza de San Carlos de la Cabaña, do outro lado da Baía de La Habana.

O que chama a atenção do visitante é como eles conseguiram restaurar construções coloniais, que não perdem em nada para cidades históricas européias. A enorme quantidade de turistas que andam por ali também é de surpreender, para quem espera encontrar um país relativamente fechado e com poucos turistas, devido tanto ao regime como ao embargo americano. De procedência dos cruzeiros que passam por ali ou mesmo através de vôos diretos da Europa, México e América Central, os turistas são responsáveis pela principal fonte de renda da ilha na atualidade. Havana já conta com uma relativa estrutura de turismo, com bons restaurantes, lojas e lugares para visitar.

Além da cidade velha, as construções do Malécon também passam por um processo de restauração. Fora isso e o bairro mais novo de Vedado, a residência dos moradores situam-se em casarios muito antigos, que parecem estar em um processo avançado de ruína, recordando mais cortiços e favelas do que qualquer outra coisa.

Contudo, isso somado aos carros antigos que transitam por toda Havana e aos cocotaxi, dão um certo estilo retrô e espírito pitoresco à cidade caribenha, tornando-a provavelmente única no mundo e um lugar fascinante para se conhecer.

CONTINUA AMANHÃ...

14 de março de 2011

Diário cubano - 3

Nos intervalos dos mergulhos, descansávamos na Punta Francés, no meio do caminho entre os pontos de mergulho e o Centro de Mergulho. Naquele lugar, piratas desembarcavam nos séculos XVI e XVII para fugir de seus perseguidores e deixar por ali seus tesouros, que provavelmente jazem escondidos, ainda esperando serem descobertos... Reza a lenda que Robert Louis Stevenson baseou-se na Ilha da Juventude para escrever o clássico “A Ilha do Tesouro”.

O mar dali era indescritível. Nem uma fotografia bem tirada seria capaz de captar a pureza daquelas águas cristalinas. Entramos ainda em uma das “cuevas”, buracos em pedras que circundam a ilha, fazendo snorkeling. Passando pelo buraco, saímos em uma pequena praia.

Fomos uma noite à Nueva Gerona, a cidade principal da Ilha, que conta com uns 87.000 habitantes. Comemos um banquete em um dos paladares, restaurantes montados nas casas dos moradores, que precisam de uma autorização do governo para tanto. Sua proprietária, dueña Amarílis, parecia querer nos deixar satisfeitos de todos os modos. A refeição inusitada: carne de crocodilo (há crocodilos no caribe e América central) e de carneiro, com outras iguarias locais. Depois, andamos pelas ruas da pequena cidade, que me recordou cidades de porte médio do interior do Nordeste.

Em uma outra noite, houve uma pequena “discoteca” no hotel. Mas isso deixo pra contar em outro lugar...

Encerramos assim nossa aventura na Isla de la Juventud. No dia seguinte, partiríamos para a segunda parte: Havana!

CONTINUA AMANHÃ...

13 de março de 2011

Diário cubano - 2


Na Ilha da Juventude, nos hospedamos no Hotel El Colony. O hotel foi construído na década de 50, logo antes da Revolução, para ser um cassino. Teve um curto tempo de vida e foi apropriado pelo regime cubano. O El Colony localiza-se bem enfrente ao mar, possui boas instalações, uma piscina bacana e uma pletora de funcionários, quando comparados com os poucos turistas que ali se aventuravam. De fato, além de nosso grupo, estavam ali, no máximo mais uma dezena de pessoas. A impressão que se tinha, ao se ver tantas mesas, espreguiçadeiras e cadeiras de praias, era que estavam à espera de uma multidão, que nunca chegava... A comida não era de boa qualidade, com poucas opções. Mas era o que tínhamos, pois o hotel se encontrava a aproximadamente 50 quilômetros do maior povoado da ilha, Nueva Gerona.

Apesar disso, o hotel era excelente para o propósito de nossa estada na Ilha da Juventude. Afinal de contas, viemos para mergulho, e não para desfrutar a deliciosa culinária cubana. O Centro de Mergulho Marina ficava a um quilômetro do hotel e era para lá que nos caminhávamos (de ônibus) todas as manhãs, prontos para embarcamos no barco Neptuno. Do Centro de Mergulho até os pontos, levávamos aproximadamente de uma hora a uma hora e meia.

A tripulação do Neptuno era composta pelo capitão da embarcação, por um cozinheiro e pelos dois guias que nos orientavam nos mergulhos. No início, pareciam um pouco reservados, mas não demorou muito para ficarem à vontade com, digamos, a cordialidade brasileira, a ponto de saírem piadinhas de proctologistas y otras cosas más. A embarcação não era das melhores, o espaço para equipar era bem restrito e tudo parecia meio largado. A cozinha... O que não mata fortalece! Mas saímos todos vivos e com muitas histórias para contar.

Foram quatro dias de mergulhos fantásticos. Cada mergulho conseguia superar o anterior em termos de visibilidade, vida marinha e adrenalina. O primeiro dia foram mergulhos de pouca profundidade, certamente para os guias locais analisarem a quanto andava o nível dos mergulhadores. Mas esses mergulhos iniciais já sinalizavam para a riqueza das formações coralíneas e da fauna que encontraríamos dali pra frente.

No dia seguinte, o primeiro mergulho ao Salón Maravilloso serviu como recorde de profundidade para muitos: meu computador bateu 46.9 metros de fundo! Evidentemente, foi uma passagem rápida pelo Salón. O mergulho seguinte, de menor profundidade, abriu para nós mais uma visão desbundante de corais e da vida pujante que os habitava. O terceiro mergulho foi semelhante ao segundo, porém sempre com alguma novidade que ainda não havíamos vislumbrado naquela parte do mar caribenho.

O terceiro dia certamente será o que nos deixará um registro inapagável da memória. Fomos para Los Indios, no mar de fora, mergulhar. A visibilidade batia 60 metros, segundo a estimativa média (os mais cautelosos preferiam dizer acima de 50 metros, os mais entusiasmados arriscavam 70 metros). Arraias escondidas nas areias, vida abundante, corais de deixar o queixo caído e água roxa concentrada na veia deixaram a todos nós atordoados. Nas palavras de Carlos Hugo, saímos todos em êxtase. Absoluto êxtase. O mergulho seguinte foi raso (máximo de 9 metros) em naufrágio. Espetacular também, possibilitou avistar mais vida, como barracudas e meros. O terceiro mergulho do dia foi noturno, onde pudemos ver polvos, enormes caranguejos (caranguejolas, segundo o Silvio) e lagostas, além de enorme quantidade de peixes.

No quarto e último dia de mergulho, fomos a Cueva Azul, também mergulho profundo (+- 44 metros), uma fissura submarina, muito estreita, mas que todos conseguiram se sair muito bem. O último mergulho serviu como uma “revisão” daqueles dias de mergulhos extraordinários, com toda aquela riqueza de vida e de corais se apresentando mais uma vez. Fechamos com chave de diamante.

Mas não só de mergulhos vivíamos naquela Ilha...

CONTINUA AMANHÃ...

12 de março de 2011

Diário cubano – 1


A proposta da operadora de mergulho ByFish parecia irresistível. Quatro dias de mergulho na Ilha da Juventude, a segunda maior ilha de Cuba localizada no arquipélago de Canarreos, logo ao sudoeste da ilha principal, e três dias de turismo cultural pelas ruas de Havana. Uma vez decidido, pé na estrada.

Chegando em Havana pela Copa via Panamá, o início não parecia muito auspicioso. O motorista do ônibus que devia nos deixar em nosso hotel em Havana para uma pernoite antes de prosseguirmos para a Ilha da Juventude se recusava a passar mais de vinte quilômetros por hora. Talvez fosse a idade avançada que o impedisse de pisar no acelerador... O pior: nos deixou quase um quilômetro de distância do hotel, quando poderia muito bem ter nos deixado na porta! Raiva dos brazucas ou típica hospitalidade cubana?

Descobriríamos depois que não, que os cubanos são gente boa, tranqüilos e admiram o Brasil (ao menos, nossas telenovelas e jogadores de futebol, certamente...). Após a curta pernoite, seguimos para a Ilha da Juventude.

O avião era de origem russa, da época em que o bloco comunista provia a ilha com mercadorias que Cuba não produzia. O letreiro em alfabeto cirílico deixava claro sua procedência, assim como as poltronas velhas e um cheiro, digamos, bem peculiar, davam uma idéia da idade... Tínhamos dúvida se esse avião top da Aerocubana conseguiria chegar ao seu ponto de destino. Ainda mais quando víamos que o mecânico estava ali, para o caso de alguma emergência... Mas a viagem se mostrou surpreendentemente tranqüila, sem maiores percalços, e pousamos na Ilha da Juventude para a primeira parte da viagem: mergulhos.

CONTINUA AMANHÃ...

11 de março de 2011

Momento musical: "Going up the Country" - Canned Heat

Já completam três anos desde que comecei a buscar o nome de uma certa música, da banda que a tocava e, por que não, a própria música. Ouvi essa música pela primeira vez no filme "Na Natureza selvagem" (Into the wild), mas como ela não compunha a trilha "oficial", não tinha como descobrir o nome dela e o seu compositor. Investigando na internet, nada, nenhuma pista.

Mas é daquelas músicas que entram na nossa cabeça e não saem enquanto não ouvirmos incessantemente e repetidamente. Tem música que parece funcionar assim: se não ouvirmos, ficamos com ela na cabeça.

E foi muito por acaso - dessas estranhas e absurdas coincidências - que me topei novamente com ela. Por um acaso, a televisão no hotel de Havana (em Cuba mesmo) estava ligada - provavelmente por um dos colegas do quarto - quando passava um filme com o Hugh Grant e com a Sarah Jessica Parker e, naquela cena, que passava naquele exato momento, qual música tocava? Essa mesma. Então por esses dois atores - não sabia o nome daquele filme dublado em espanhol que passava em uma TV a cabo cubana (sim, isso existe!) e que tinha visto apenas de relance - descobri a música.

O nome da música é "Going up the country", de uma banda de blues-rock chamada Canned Heat, que fez muito sucesso na década de sessenta e setenta (a banda ainda existe) e tocou, inclusive, no Woodstock. Segue abaixo um "clip" da música, no melhor estilo hippie de Woodstock.