Na Ilha da Juventude, nos hospedamos no Hotel El Colony. O hotel foi construído na década de 50, logo antes da Revolução, para ser um cassino. Teve um curto tempo de vida e foi apropriado pelo regime cubano. O El Colony localiza-se bem enfrente ao mar, possui boas instalações, uma piscina bacana e uma pletora de funcionários, quando comparados com os poucos turistas que ali se aventuravam. De fato, além de nosso grupo, estavam ali, no máximo mais uma dezena de pessoas. A impressão que se tinha, ao se ver tantas mesas, espreguiçadeiras e cadeiras de praias, era que estavam à espera de uma multidão, que nunca chegava... A comida não era de boa qualidade, com poucas opções. Mas era o que tínhamos, pois o hotel se encontrava a aproximadamente 50 quilômetros do maior povoado da ilha, Nueva Gerona.
Apesar disso, o hotel era excelente para o propósito de nossa estada na Ilha da Juventude. Afinal de contas, viemos para mergulho, e não para desfrutar a deliciosa culinária cubana. O Centro de Mergulho Marina ficava a um quilômetro do hotel e era para lá que nos caminhávamos (de ônibus) todas as manhãs, prontos para embarcamos no barco Neptuno. Do Centro de Mergulho até os pontos, levávamos aproximadamente de uma hora a uma hora e meia.
A tripulação do Neptuno era composta pelo capitão da embarcação, por um cozinheiro e pelos dois guias que nos orientavam nos mergulhos. No início, pareciam um pouco reservados, mas não demorou muito para ficarem à vontade com, digamos, a cordialidade brasileira, a ponto de saírem piadinhas de proctologistas y otras cosas más. A embarcação não era das melhores, o espaço para equipar era bem restrito e tudo parecia meio largado. A cozinha... O que não mata fortalece! Mas saímos todos vivos e com muitas histórias para contar.
Foram quatro dias de mergulhos fantásticos. Cada mergulho conseguia superar o anterior em termos de visibilidade, vida marinha e adrenalina. O primeiro dia foram mergulhos de pouca profundidade, certamente para os guias locais analisarem a quanto andava o nível dos mergulhadores. Mas esses mergulhos iniciais já sinalizavam para a riqueza das formações coralíneas e da fauna que encontraríamos dali pra frente.
No dia seguinte, o primeiro mergulho ao Salón Maravilloso serviu como recorde de profundidade para muitos: meu computador bateu 46.9 metros de fundo! Evidentemente, foi uma passagem rápida pelo Salón. O mergulho seguinte, de menor profundidade, abriu para nós mais uma visão desbundante de corais e da vida pujante que os habitava. O terceiro mergulho foi semelhante ao segundo, porém sempre com alguma novidade que ainda não havíamos vislumbrado naquela parte do mar caribenho.
O terceiro dia certamente será o que nos deixará um registro inapagável da memória. Fomos para Los Indios, no mar de fora, mergulhar. A visibilidade batia 60 metros, segundo a estimativa média (os mais cautelosos preferiam dizer acima de 50 metros, os mais entusiasmados arriscavam 70 metros). Arraias escondidas nas areias, vida abundante, corais de deixar o queixo caído e água roxa concentrada na veia deixaram a todos nós atordoados. Nas palavras de Carlos Hugo, saímos todos em êxtase. Absoluto êxtase. O mergulho seguinte foi raso (máximo de 9 metros) em naufrágio. Espetacular também, possibilitou avistar mais vida, como barracudas e meros. O terceiro mergulho do dia foi noturno, onde pudemos ver polvos, enormes caranguejos (caranguejolas, segundo o Silvio) e lagostas, além de enorme quantidade de peixes.
No quarto e último dia de mergulho, fomos a Cueva Azul, também mergulho profundo (+- 44 metros), uma fissura submarina, muito estreita, mas que todos conseguiram se sair muito bem. O último mergulho serviu como uma “revisão” daqueles dias de mergulhos extraordinários, com toda aquela riqueza de vida e de corais se apresentando mais uma vez. Fechamos com chave de diamante.
Mas não só de mergulhos vivíamos naquela Ilha...
CONTINUA AMANHÃ...