O salário reduzido que os cubanos recebem do governo e as restrições da “caderneta” de alimentos e utilidades fornecidos mensalmente pelo regime levam à existência de uma economia paralela, um tipo de economia informal socialista. Pessoas têm um segundo emprego, normalmente relacionado ao turismo, para obter uma fonte de renda extra. O “jeitinho” cubano busca também extrair dos turistas rendas não-oficiais, que fogem ao controle do governo cubano (ao que parece, sob um tipo de vista grossa, um "faz de conta que não vi" estatal.) Ao lado do mercado negro para os cubanos, a principal evidência dessa dupla economia é garantida pelo próprio governo: existem os pesos cubanos usados pelos locais e os CUCs, moedas que circulam somente para o turismo da ilha e que nós, turistas, utilizamos a todo momento.
Embora a permanência em Havana tenha sido mínima e apesar de todo o aparato turístico que normalmente nos isola da realidade local em qualquer lugar que vamos, não se percebe uma repressão manifesta contra os moradores. A polícia não parece ameaçadora e os cubanos, bem-humorados e dotados do mesmo espírito latinoamericano, seguem suas vidas, não diferentes de cidadãos de qualquer outro lugar. É claro, existe um autoritarismo de tipo carismático que não vimos, sentido pelos cubanos na sua vida cotidiana. A Revolução cubana foi alcançada, mas não sem um alto sacrifício de certas liberdades individuais. Uma grande dificuldade certamente reside em sair da Ilha: além de caro (alguém falou algo entorno de US$ 3.000,00), o governo cubano é extremamente rígido no controle emigratório de seus cidadãos.
Contudo, parece que novos ares sopram na terra de Fidel. O governo cubano tem liberado nos últimos anos pequenos negócios privados e em breve demitirá uma quantidade significativa de cubanos, com o objetivo de reduzir custos ao Estado e impulsionar uma nascente atividade econômica de mercado. A guia de um city tour falou algo que imaginei que não iria ouvir: o objetivo seria caminhar para um socialismo de tipo europeu (!!!). O principal evento sobre a mudança de rumo do regime será o VI Congresso do Partido Comunista Cubano, que se reunirá em abril desse ano para discutir o futuro político, econômico e social da República de Cuba.
Em breve, colocarei um artigo mais detalhado sobre o assunto.
Após essa semana intensa, retornamos para o Brasil, com apenas uma única dúvida:
Quando voltar?
Voltaremos em Setembro de 2011.....
ResponderExcluirBora nessa?